Matheus Leitão

Ministro Kassio Nunes Marques durante sessão no Tribunal Superior Eleitoral TSE retoma, nesta terça-feira (27:6), o julgamento que pode levar à inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ)
Ministro Kassio Nunes Marques durante sessão no Tribunal Superior Eleitoral TSE retoma, nesta terça-feira (27:6), o julgamento que pode levar à inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) · Imagem: Vinícius Schmidt/Metrópoles

Alertado sobre dificuldades para votar, presidente do TSE demorou a agir; reação de Zanin veio quando urnas já estavam fechadas

Omissão de Nunes Marques diante da falta de ônibus revolta colegas do STF
Omissão de Nunes Marques diante da falta de ônibus revolta colegas do STF · Imagem: Source: www.metropoles.com

Matheus Leitão

25/10/2026 19:31

Vinícius Schmidt/Metrópoles

É uma vergonha que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, informado desde cedo sobre as dificuldades de eleitores para chegar às urnas neste domingo (25/10), tenha deixado a situação se arrastar sem uma decisão capaz de enfrentar o problema a tempo.

A coluna apurou que o ministro recebeu ainda cedo o alerta e o pedido da coligação do PT diante das denúncias de redução da frota de ônibus. A demora provocou revolta inclusive entre colegas de toga de Nunes Marques no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em Salvador, a Justiça Eleitoral determinou o restabelecimento integral da frota. Em São Paulo, a campanha de Lula denunciou o funcionamento de apenas 60% dos ônibus previstos, apesar da ordem judicial para circulação integral. O prefeito Ricardo Nunes negou redução e afirmou que o serviço atendia à demanda.

Nunes Marques pediu informações para avaliar a situação. Mas, numa eleição, o relógio não espera. Cada hora sem transporte pode significar um eleitor a menos em condições de exercer seu direito. A ausência de uma resposta efetiva permitiu que a confusão atravessasse o dia.

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Quando Cristiano Zanin determinou a prorrogação da votação até as 19h, o horário regular de encerramento já havia passado. A medida acabou limitada às seções cujas urnas permaneciam abertas. As que já tinham sido encerradas não poderiam ser reabertas. A reação chegou tarde demais para eleitores que dependiam dessas seções.

O episódio expõe um quadro vergonhoso de deterioração institucional. Quem depende de ônibus não pode ter menos direito ao voto do que quem dispõe de carro e motorista. Para muitos brasileiros, a urna é o principal instrumento para se fazer ouvir pelo poder político.

Garantir que essas pessoas cheguem à seção eleitoral é uma obrigação básica da democracia. Deixar o dia passar sem uma solução à altura da urgência é falhar justamente com quem mais precisa dessa garantia.