Odara é uma canção brasileira composta por Caetano Veloso e lançada em 1977 como faixa de destaque do álbum Bicho. A canção é considerada um clássico da MPB e um marco da fase "afro-baiana" do compositor, sendo uma resposta direta às críticas que ele recebia após seu retorno do exílio em Londres.
Contexto e inspiração A composição de "Odara" está diretamente ligada à viagem que Caetano Veloso e Gilberto Gil fizeram a Lagos, na Nigéria, em 1977, para participar do FESTAC 77 (Segundo Festival Mundial de Artes e Culturas Negras). Fortemente influenciado pela música africana, especialmente pelo afrobeat de Fela Kuti, Caetano retornou ao Brasil com um novo conceito estético focado na positividade e na dança. O título "Odara" vem da língua iorubá. Em entrevista à revista Playboy (no 49, Agosto de 1979), o próprio Caetano explicou o significado da expressão:
"É uma palavra que se usa na Bahia, principalmente entre os pretos, em áreas de candomblé, e em Itapoã, onde mora muita gente preta. É uma palavra de origem africana, mas como termo corrente ela quer dizer bonito, bom, bacana, legal..."
Controvérsia e legado Na época de seu lançamento, "Odara" causou enorme controvérsia entre a crítica especializada e a intelectualidade de esquerda. O Brasil vivia o auge da Ditadura Militar, e esperava-se que Caetano, voltando do exílio, retomasse a canção de protesto "séria". No entanto, Caetano apresentou uma canção solar, dançante e com letras repetitivas (como o famoso "i-le-lê / i-lê-lá"), que foi vista por muitos críticos como "alienada", "pueril" ou "despolitizada". Apesar da recepção crítica inicial negativa, "Odara" tornou-se um dos maiores sucessos de Caetano Veloso. A canção foi um hino do movimento "Black Rio" e da "Beleza Pura", e foi regravada por diversos artistas, notavelmente por Maria Bethânia, tornando-se um clássico atemporal da MPB. Em seu álbum O Dia em que a Terra Parou, também de 1977, Raul Seixas faz referência a Odara na canção Tapacara, um funk acompanhado pela Banda Black Rio, que também serviu de banda de apoio para Caetano no show do álbum O Bicho e seria lançado em CD apenas em 2002, na caixa Todo Caetano.
Referências