A Conservação Internacional do Brasil (em inglês: Conservation International Brazil; CI Brasil) é o programa da Conservação Internacional no Brasil. A CI Brasil trabalhou em paisagens terrestres e marinhas em diversos biomas brasileiros — incluindo a floresta amazônica, o Cerrado e a Mata Atlântica — e em áreas costeiras e marinhas como a região de Abrolhos. O trabalho do programa inclui a participação no Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia, financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e apoiado pelo Banco Mundial, e a seleção em 2024 como gestor parceiro na iniciativa "Restaura Amazônia" do Fundo Amazônia para ações de restauração no Pará e no Maranhão. Outros projetos abordaram as pressões do desmatamento ligadas à expansão da soja na região do Cerrado/MATOPIBA (nome dado aos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e iniciativas para fortalecer áreas marinhas protegidas e o turismo sustentável na paisagem marinha de Abrolhos. O trabalho também incluiu projetos de longo prazo com parceiros indígenas, como os Kayapó, no sudeste da Amazônia.

Visão geral A CI Brasil foi criada em 1990 e o programa mantém escritórios no Rio de Janeiro, Brasília e Santarém. Em 2017, a CI Brasil assinou um acordo de doação (bolsa GEF TF0A6056) para implementar partes do Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL). O programa funciona por meio da associação sem fins lucrativos Associação Conservação Internacional do Brasil, com sede no Rio de Janeiro. Seu portfólio de projetos incluiu iniciativas de gestão e restauração de áreas protegidas e paisagens integradas na Amazônia brasileira, esforços ligados aos riscos de desmatamento nas cadeias de suprimento de soja na fronteira Cerrado/MATOPIBA e governança de áreas marinhas protegidas e trabalho de turismo sustentável em áreas costeiras como a região de Abrolhos.

História A CI Brasil foi estabelecida em 1990. Em 1992, a CI iniciou uma parceria de conservação e desenvolvimento com a comunidade Kayapó de A'Ukre, no sudeste da Amazônia, que buscava reduzir a dependência da venda de mogno extraído ilegalmente e proteger uma população intacta de mogno em terras Kayapó. A parceria manteve uma área de aproximadamente 8 000 hectares (80 km2) para pesquisa e proteção do mogno, e enfatizou a governança local legítima para a gestão de recursos comuns, benefícios tangíveis para os membros da comunidade e envolvimento a longo prazo. Em 2004, durante debates sobre um sistema proposto de concessões florestais públicas para a exploração madeireira sustentável, a CI Brasil apoiou a regulamentação destinada a coibir a extração ilegal de madeira, argumentando que o desenho das concessões precisava abordar como as forças de trabalho locais seriam incluídas nos projetos de concessão. Desde o final da década de 2010, a CI Brasil foi parceira executora do Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL), um programa que apoia a expansão e a melhoria da gestão de áreas protegidas e promove a restauração e o manejo mais sustentável da terra na Amazônia brasileira. Na região do Cerrado/MATOPIBA, a CI Brasil iniciou a implementação do projeto Eliminando o Desmatamento da Cadeia de Suprimentos da Soja em 2017, com o objetivo de reduzir as pressões de desmatamento associadas à expansão da soja e promover uma produção mais sustentável em escala de paisagem. Em 2024, a CI Brasil foi selecionada como sócia gestora da macrorregião 3 (Pará e Maranhão) dentro do Restaura Amazônia.

Programas e operações

Nacional A CI Brasil tem sede no Rio de Janeiro e mantém um escritório em Brasília.

Amazônia brasileira Na Amazônia brasileira, a CI Brasil realiza trabalhos em áreas protegidas e paisagens sustentáveis, incluindo atividades ligadas à restauração e ao uso mais sustentável da terra, além de projetos com comunidades locais e parceiros indígenas. Tem atuado como parceiro executor do Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL), que se concentra na expansão e no fortalecimento de áreas protegidas e no apoio à restauração e ao manejo sustentável da terra na Amazônia brasileira. As atividades incluíram o manejo de áreas protegidas e o manejo integrado da paisagem em vários estados da Amazônia brasileira, incluindo Acre, Amazonas, Pará e Rondônia. A CI Brasil mantém escritório em Santarém, no Pará. A CI Brasil implementou projetos no Pará, incluindo o Tapajós Sustentável, uma iniciativa apoiada pelo Fundo Amazônia na região do Tapajós, ligada à conservação florestal e a atividades sustentáveis baseadas na comunidade. Na região do Tapajós, a CI Brasil tem colaborado com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e organizações comunitárias em iniciativas de restauração e agroflorestamento, incluindo treinamento e apoio às cadeias de valor locais. O trabalho de parceria indígena inclui a aliança de conservação e desenvolvimento de 1992 com a comunidade Kayapó de A'Ukre no sudeste da Amazônia e projetos posteriores de apoio ao monitoramento territorial e aos esforços de dissuasão em terras Kayapó. Na Restaura Amazônia, a CI Brasil atua como gestora parceira da macrorregião 3 (Pará e Maranhão), responsável pela gestão de editais de licitação e pelo apoio aos processos de monitoramento e prestação de contas.

Mata Atlântica A CI Brasil foi listada como uma das organizações apoiadoras de um projeto em Pernambuco destinado a apoiar a criação de áreas protegidas nos remanescentes da Mata Atlântica do estado.

Cerrado e MATOPIBA No Cerrado e na fronteira agrícola do MATOPIBA, a CI Brasil tem trabalhado em iniciativas destinadas a reduzir as pressões de desmatamento ligadas à expansão da soja e a promover uma produção mais sustentável em escala de paisagem. Atuou como parceiro implementador do projeto Retirando o Desmatamento da Cadeia de Suprimentos da Soja, que apoiou a coordenação multissetorial (incluindo a Coalizão Matopiba) e o trabalho técnico relacionado ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) no Tocantins e na Bahia.

Áreas marinhas e costeiras Nas áreas costeiras e marinhas, a CI Brasil tem apoiado a governança de áreas marinhas protegidas e iniciativas de turismo sustentável, incluindo trabalhos na paisagem marinha de Abrolhos. Um exemplo é uma iniciativa de 2023–2025 na paisagem marinha de Abrolhos, com o objetivo de fortalecer as áreas marinhas protegidas e apoiar o turismo sustentável ao redor do Parque Nacional Marinho de Abrolhos e da Reserva Extrativista de Cassurubá. As atividades de divulgação na região de Abrolhos/Cassurubá incluíram eventos públicos em Caravelas, Bahia, incluindo o programa Festival da Diversidade: conecte-se à sua natureza, vinculado a visitas a Abrolhos e à Reserva Extrativista de Cassurubá. O trabalho científico e técnico associado à CI Brasil incluiu estudos de métodos de monitoramento de recifes na Bahia utilizando transectos de vídeo.

Parcerias O trabalho da CI Brasil envolve parcerias com órgãos públicos brasileiros, organizações multilaterais e outras organizações da sociedade civil. A Comissão Nacional da Biodiversidade (CONABIO) é um órgão consultivo vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil. Em 2024, uma portaria ministerial que designou organizações não governamentais ambientais para representar os biomas brasileiros na CONABIO incluiu a Conservação Internacional do Brasil como a organização eleita para o bioma Amazônico. No Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia, a implementação envolveu órgãos ambientais federais e estaduais, com coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, implementação do programa pelo Banco Mundial e financiamento pelo Fundo Global para o Meio Ambiente, e execução pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e CI Brasil na primeira fase e pelo FUNBIO, CI Brasil e Fundação Getúlio Vargas (FGV) na segunda fase. As parcerias vinculadas ao Fundo Amazônia incluíram o papel da CI Brasil como gestora de parcerias para o Pará e o Maranhão no programa Restaura Amazônia, apoiando chamadas de propostas e mecanismos de monitoramento no âmbito da iniciativa. No Pará, a CI Brasil também implementou iniciativas apoiadas pelo Fundo Amazônia, como o Tapajós Sustentável, incluindo atividades realizadas com organizações comunitárias locais e colaboração com parceiros como o IPAM. No Cerrado/MATOPIBA, a CI Brasil atuou como parceira implementadora de um projeto do PNUD – Fundo Global para o Meio Ambiente, com foco nas pressões de desmatamento associadas à expansão da soja e vinculando o trabalho técnico aos processos de registro ambiental no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Na paisagem marítima de Abrolhos, as parcerias descritas nos materiais do programa incluem trabalhos ligados a áreas protegidas e turismo de natureza, com uma organização parceira do setor turístico a participar na iniciativa de 2023–2025. As parcerias indígenas incluem o trabalho de longo prazo da CI Brasil com parceiros Kayapó no sudeste da Amazônia, iniciado no começo da década de 1990. Os recursos do Fundo Amazônia também foram usados para estabelecer o mecanismo do Fundo Kayapó para projetos em Terras Indígenas Kayapó, com a FUNBIO atuando como gestora financeira e a CI Brasil participando dos arranjos de governança juntamente com atores indígenas e do setor público. Em 2025, o apoio do Fundo Kayapó incluiu oficinas para jovens e mulheres em preparação para a COP 30, lideradas por organizações indígenas, com apoio proveniente de doações, incluindo do Fundo Amazônia e da Conservação Internacional do Brasil.

Financiamento e financiamento da conservação As atividades do programa foram apoiadas por meio de mecanismos de financiamento da conservação que incluem doações do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) no âmbito do Programa Paisagens Sustentáveis da Amazônia, financiamento de projetos do PNUD–GEF no Cerrado/MATOPIBA e iniciativas apoiadas pelo Fundo Amazônia, como Tapajós Sustentável e Restaura Amazônia. No Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL), as subvenções do GEF foram concedidas ao Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e à Conservação Internacional do Brasil, e o programa é implementado pelo Banco Mundial sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas. Um acordo de subvenção para TF0A6056 estabeleceu um máximo de 30,33 milhões de dólares americanos para a CI Brasil financiar as partes II a IV do projeto e fez referência a uma subvenção paralela de 30 milhões de dólares americanos para o FUNBIO para a Parte I. Um acordo de financiamento adicional de segunda fase adicionou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) como uma organização executora adicional, enquanto os acordos de subvenção com o FUNBIO e a CI Brasil continuaram. O projeto PNUD–GEF Taking Deforestation Out of the Soy Supply Chain foi implementado com um orçamento total de 6,6 milhões de dólares americanos e uma data de conclusão planejada para julho de 2021. O Fundo Amazônia é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e possui uma estrutura de governança participativa coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente do Brasil, com representação dos governos federal e estaduais e da sociedade civil; ele financia projetos e editais de propostas utilizando contribuições de doadores e outros recursos. A CI Brasil recebeu apoio do Fundo Amazônia para projetos como o Tapajós Sustentável no Pará. No programa Restaura Amazônia, os recursos do Fundo Amazônia são transferidos para gestores parceiros que administram os editais de propostas e apoiam os processos de monitoramento e prestação de contas. Um edital de 2024 anunciou 450 milhões de reais para projetos de restauração, com a CI Brasil selecionada como gestora parceira para o Pará e o Maranhão. Em dezembro de 2024, os editais associados à iniciativa foram descritos como tendo como objetivo selecionar projetos para restaurar 146 000 hectares (1 460 km2) na Amazônia, com a macrorregião 3 (Pará e Maranhão) relatada como tendo alocado 36 milhões de reais para seis projetos sob a gestão da CI Brasil. Em abril de 2025, uma chamada de 150 milhões de reais focada na restauração ecológica de Terras Indígenas manteve a CI Brasil como gestora parceira para o Pará e o Maranhão. Os recursos do Amazon Fund e as contribuições de doadores também apoiaram o estabelecimento do mecanismo Fundo Kayapó para projetos em Terras Indígenas Kayapó por meio do FUNBIO, incluindo uma contribuição inicial do Fundo Amazônia descrita como equivalente a uma doação de 4 milhões de dólares americanos da Conservação Internacional; a CI Brasil foi descrita como participante das estruturas de governança vinculadas ao mecanismo. Um ciclo de financiamento de 2025 apoiou oficinas lideradas por organizações indígenas em preparação para a COP 30, com apoio descrito como proveniente de doações, incluindo do Fundo Amazônia e da Conservação Internacional do Brasil. A organização publica documentos de governança e divulgação financeira através do seu portal de transparência, incluindo demonstrações financeiras auditadas.

Impacto e avaliação Uma avaliação final analisou a implementação e os resultados do projeto Taking Deforestation Out of the Soy Supply Chain (2017–2021), incluindo o progresso em relação aos resultados e indicadores, o envolvimento das partes interessadas e os mecanismos de gestão do projeto. A avaliação classificou o resultado geral do projeto como "moderadamente satisfatório" e relatou que, em novembro de 2021, cerca de 85% do orçamento total havia sido desembolsado; também concluiu que nenhum dos três indicadores de objetivo do projeto seria atingido e que apenas duas das treze metas de nível de resultado seriam alcançadas. Identificou o estabelecimento da Coalizão Matopiba e de uma plataforma de diálogo multissetorial como um legado importante, ao mesmo tempo que concluiu que o desenho do projeto e a teoria da mudança não estavam suficientemente alinhados com a complexidade dos fatores de desmatamento e pontos de alavancagem dentro do prazo e dos recursos disponíveis, e que a transição política e a pandemia de COVID-19 afetaram as condições de implementação. As recomendações incluíram concentrar qualquer fase subsequente em um número menor de municípios prioritários, com base em diagnósticos mais detalhados, fornecer recursos para sustentar a Coalizão Matopiba além do financiamento do projeto, acompanhar a implementação das propostas de políticas desenvolvidas pelo projeto, continuar o trabalho de conformidade com as salvaguardas sociais e ambientais relevantes para a expansão da soja e garantir que as ferramentas desenvolvidas pelo projeto sejam acompanhadas de capacitação e recursos para adoção além do uso piloto. O status de implementação e os relatórios de resultados do Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia forneceram monitoramento periódico durante a implementação, incluindo avaliações de desempenho, atualizações de risco, status de desembolso e relatórios em relação aos indicadores do projeto.

Notas Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês cujo título é «Conservation International Brazil».

Referências