O turismo brasileiro voltou a operar em uma escala que torna cada vez mais difícil ignorar um problema antigo dos seus bastidores. Entre janeiro e julho de 2026, os mercados doméstico e internacional movimentaram juntos mais de 77 milhões de passageiros, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos. Enquanto o viajante se acostumou a comprar, pagar e receber respostas em poucos segundos, grande parte da operação entre agências, consolidadoras e fornecedores ainda depende de processos fragmentados. Quanto maior o mercado fica, mais caro se torna sustentar essa diferença de velocidade.Por muito tempo, a solução encontrada pelo setor foi adicionar pessoas sempre que o volume aumentava. Mais solicitações exigiam mais atendentes, novas agências demandavam mais equipes de cadastro e cada expansão trazia uma nova camada operacional. Esse modelo começa a encontrar seu limite. No mercado doméstico, foram 59,4 milhões de passageiros nos primeiros sete meses do ano, alta de 4%, enquanto o internacional chegou a 17,8 milhões, crescimento de 8,2%. Se a estrutura de atendimento precisar crescer na mesma proporção da demanda, parte relevante desse avanço continuará sendo consumida por custo e complexidade.É por isso que acredito que a próxima transformação do turismo B2B passa pela construção de verdadeiros sistemas operacionais para o setor. Não basta colocar inteligência artificial em uma janela de conversa e chamá-la de inovação. Cotação, análise cadastral, crédito, emissão, alteração, cancelamento, atendimento e pós-venda precisam compartilhar dados e funcionar como partes de uma mesma jornada. Em uma operação que acompanhei de perto, um fluxo de credenciamento e liberação de crédito que podia consumir até 20 dias úteis passou a ser concluído em aproximadamente 30 minutos depois da reorganização e automação do processo. O valor está menos na velocidade isolada e mais no que ela permite fazer com a operação inteira.Existe uma preocupação compreensível de que automatizar esse relacionamento possa transformar o turismo em uma experiência impessoal. Acredito que acontece justamente o contrário quando a tecnologia é aplicada no lugar certo. Um profissional qualificado perde valor quando passa horas verificando cadastro, buscando disponibilidade ou repetindo procedimentos previsíveis. Liberado dessas tarefas, ele pode dedicar atenção a negociações complexas, exceções e relacionamento comercial. Tecnologia bem desenhada deveria ampliar a capacidade das pessoas, especialmente em um setor no qual confiança continua sendo parte relevante da venda.A pressão por essa mudança tende a aumentar. O Brasil registrou em julho 11,9 milhões de passageiros, o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 2000. No cenário internacional, a ONU Turismo ainda projeta crescimento das viagens globais em 2026, embora com riscos ligados a custos e incertezas geopolíticas. Isso significa que haverá mais transações, alterações, pagamentos e solicitações percorrendo uma infraestrutura que já demonstra sinais de saturação. Crescimento deixa de ser uma boa notícia quando a empresa precisa multiplicar sua estrutura apenas para conseguir absorvê-lo.Nos próximos anos, a diferença competitiva no turismo B2B estará menos na quantidade de ferramentas contratadas e mais na capacidade de fazer toda a operação funcionar como um único sistema. Empresas capazes de integrar dados, automatizar decisões previsíveis e responder durante 24 horas poderão crescer sem reproduzir internamente a mesma complexidade do mercado. O consumidor já vive em um turismo digital. Agora chegou a vez de modernizar a infraestrutura que ele nunca vê, mas da qual depende cada viagem que compra.*Bruno Bazotti é fundador e CEO da Larian AI, onde atua na transformação do setor de turismo por meio de soluções de inteligência artificial voltadas à automação e eficiência operacional. Com mais de 12 anos de experiência em tecnologia, incluindo passagens por empresas como IBM, Intuit e TEKsystems, é especialista em estratégia de dados, automação e desenvolvimento de produtos baseados em IA.Bruno Bazoti é fundador e CEO da Larian Group✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp









